Integrantes da escola de samba carioca Portela, que este ano homenageia a Bahia em seu desfile no carnaval, também participaram do evento. Levados pelos tambores do Olodum, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Jéferson Souza e Jeane Martine, e duas passistas deram um toque diferente ao cortejo.
Era por volta das 11h30 quando as baianas chegaram ao topo da Colina Sagrada, onde fica a basílica, e deram início à lavagem das escadarias. Ali, milhares de fiéis aproveitaram para amarrar as famosas fitinhas no gradil que cerca a igreja, renovando a fé no Senhor do Bonfim.
"No ano passado, pedi pela recuperação da minha filha, que nasceu com um problema cardíaco e corria risco de morrer", conta a comerciante Maria Lydia Pessoa, de 33 anos, que levou a pequena Maria Clara, de 2, para o cortejo. "Vim agradecer a recuperação dela e pedir mais proteção."
Quem já foi á Bahia e saiu sem pelo menos uma fitinha do Senhor do Bonfim amarrada ao punho? Vendidas como lembranças da Bahia, a famosa fita colorida tem origem em 1809. Feitas com pano de algodão, serviam para medidas e registros. Em meado do século passado, as fitas passaram a ser confeccionadas em nylon. Hoje, a fitinha guarda o caráter supersticioso do povo baiano: ao amarrar a fita no braço, a pessoa dá três nós e faz um pedido a cada nó. Diz a tradição que quando a fita cair espontaneamente é porque os desejos serão atendidos pelo Senhor do Bonfim.
Preparação de baianas começa bem antes da tradicional Lavagem
Baianas se preparam
Quem assiste ao cortejo florido das baianas de acarajé, no dia da Lavagem do Bonfim, não imagina o trabalho que dá perfumar o caminho com a água de cheiro típica da comemoração. “Nem durmo direito, na expectativa. Tenho medo de perder a hora”, diz Marialda de Oliveira Soares, que, aos 54 anos, já perdeu as contas de quantos desfiles completa esse ano, mas sabe que foram “mais de 20”. A preparação começa bem antes, com a compra dos ingredientes para o Banho de Amaci (ervas) e das flores, na feira das Sete Portas. Na manhã do cortejo, folha de levante, mirra, manjericão, folha da costa, arruda e macaçá são misturadas em uma bacia com água e despejadas sob o corpo depois do banho comum, para fazer o “descarrego” e abrir os caminhos. “O banho protege do mau olhado e da inveja”, diz a baiana.
No final do século XIX, a Arquidiocese de Salvador proibiu a limpeza no interior da capela, que permanece fechada durante o festejo. As baianas então começaram a lavar as escadarias com água de cheiro como símbolo de purificação. Com o passar dos anos, a Lavagem do Bonfim começou a atrair pessoas de todas as religiões.
No candomblé, o Senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá. O branco, de uso obrigatório na Lavagem, é uma menção direta ao pai de todos os orixás. Há, inclusive, controvérsia em relação à origem religiosa da festa.








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